Microcrédito no Alto Vale: crescimento de 20% mostra economia aquecida
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Em 2025, o número de microempreendedores que buscaram microcrédito no Alto Vale do Itajaí cresceu 20% se comparado com o ano anterior.

Mesmo diante do pessimismo econômico, a região demonstra um movimento que vai na contramão da estagnação: a maioria das solicitações visaram investimentos no pequeno negócio e não apenas a continuidade.
Os números são da Acredite e revelam que centenas de empresas do Alto Vale enxergaram oportunidades em um cenário que intimidou diversos setores da economia.

‟O crescimento de 20% está diretamente ligado à combinação de maior acesso ao crédito orientado e ao fortalecimento do empreendedorismo local", define Paulo José Fiamoncini, presidente da Acredite de Rio do Sul (SC) e presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Alto Vale do Itajaí. “Além disso, a formalização e profissionalização dos MEI’s é crescente, o que impulsiona a atividade econômica regional de forma sustentável”.
Durante todo o ano de 2025, a Acredite concedeu mais de R$ 16,3 milhões em microcrédito a empreendedores do Alto Vale, mas os dados divulgados também apontam para intervalos de maior interesse e segmentos mais aquecidos.
Início de ano: momento de análise e reorganização
O primeiro mês de 2025 concentrou o maior volume de operações: R$ 1,3 milhão, distribuídos entre 158 contratos.
Janeiro é tradicionalmente a época em que o microempreendedor faz as contas do ano anterior, avalia o que funcionou, identifica gargalos e planeja os próximos passos.
Portanto, o interesse em crédito justamente neste período demonstra que as micro e pequenas empresas da região do Alto Vale parecem estar organizadas, iniciando o novo ano com contas em dia e bons resultados. É este cenário que sustenta com tranquilidade a decisão de investir no próprio negócio por meio do microcrédito.
Outro detalhe que chama atenção no levantamento da Acredite é a taxa de aprovação. Menos da metade dos pedidos foram aprovados em 2025, alcançando o índice de 40%.
‟Essa taxa de aprovação evidencia um processo responsável e criterioso, com análise de alguns fatores principais, como capacidade de pagamento, organização financeira, finalidade do crédito, histórico e viabilidade da atividade exercida", explica Fiamoncini.
Serviços impulsionam economia local e mostram amadurecimento
Entre todas as operações realizadas em 2025 pela Acredite, o setor de serviços concentrou 56,78% do total.
Neste montante, a destinação do recurso também impressiona, pois não está limitada à compra de estoque ou capital de giro. No segmento de serviços, 60% dos recursos foram utilizados em investimento, seja para aquisição de novos equipamentos ou melhorias em infraestrutura.
Na opinião de Fiamoncini, o panorama reflete uma economia local aquecida, com demanda por serviços crescendo e microempreendedores dispostos a se profissionalizar para capturar essa demanda.
‟É um dado bastante positivo, indicando que os empreendedores estão pensando no crescimento do negócio e não apenas na sobrevivência", avalia.
Segundo ele, o levantamento traz ainda importantes sinais sobre o futuro da economia local.
‟Esse comportamento demonstra confiança no mercado, perspectiva de aumento de demanda e visão de longo prazo, o que é um forte indicativo de uma economia local ativa e em desenvolvimento", afirma Fiamoncini.
Juro Zero: o carro chefe do microcrédito no Alto Vale
Se existe um programa que sintetiza o papel do microcrédito na vida real, esse programa é o Juro Zero. Em parceria com o Badesc, desde 2011, a Acredite disponibiliza até R$ 5 mil sem juros para microempreendedores individuais.
Somente em 2025, houve a concessão de R$ 2 milhões entre 380 MEI’s do Alto Vale. Desde a criação do programa, R$ 11,8 milhões já foram distribuídos e cerca de 3 mil microempreendedores foram beneficiados.
‟Este programa representa inclusão produtiva e oportunidade real de crescimento", ressalta Fiamoncini. "Para muitos MEI’s, 5 mil reais fazem grande diferença e, em regiões como o Alto Vale, o Juro Zero é um motor de desenvolvimento, para que pequenos empreendedores possam crescer de forma estruturada e sustentável".
História real:
de uma máquina de gelo a uma empresa consolidada

Jezer Eli Poffo, de Ibirama, conheceu a Acredite no início de 2021. Ele havia aberto uma fábrica de gelo em 2020, em plena pandemia, e precisava ampliar a capacidade de produção para atender a demanda que começava a aparecer.
A primeira operação realizada junto à agência ocorreu por meio do Programa Juro Zero, com R$ 5 mil investidos em uma câmara fria que permitiu o aumento de estoque e fornecimento constante.
Então, a demanda continuou em crescimento e Poffo recorreu novamente à Acredite, em outros dois momentos, para empréstimos pelo Juro Zero que foram investidos em infraestrutura.
Quando o negócio estava consolidado, o empresário tomou uma nova decisão: partiu para operações voltadas ao capital de giro e adquiriu a terceira máquina de gelo. Além disso, substituiu o primeiro carro da empresa, uma Fiorino antiga, por outro mais adequado às entregas que se multiplicavam.
Ao todo, entre 2021 e 2025, foram realizadas cinco operações de microcrédito e Poffo já sabe quais serão os próximos passos. Diante dos pedidos de entregas em cidades vizinhas, ele pretende adquirir um veículo refrigerado maior, que mantenha a qualidade do produto durante as viagens.
O que começou com o microcrédito de R$ 5 mil sem juros se transformou em uma operação estruturada, com três máquinas rodando e planos de expansão regional.
A trajetória de Poffo ilustra exatamente o mesmo cenário apontado pelos dados da Acredite: quando orientado, o microcrédito é uma alavanca de desenvolvimento. A cada operação que foi planejada, executada e quitada, o microempresário abriu espaço para uma próxima etapa de crescimento.
O que os números significam para o microempresário do Alto Vale
Quem tem um pequeno negócio e nunca considerou o microcrédito como ferramenta de crescimento pode reavaliar a questão. Na região do Alto Vale do Itajaí, os dados comprovam que usar o recurso de forma estratégica já gerou resultados para centenas de empreendedores.
Por outro lado, a taxa de aprovação de 40% nos pedidos revela também o perfil de quem consegue o financiamento. São negócios que apresentam planejamento, sabendo exatamente qual o valor necessário, para quais objetivos e com metas claras para devolução.
‟A atuação da Acredite facilita o acesso a recursos para pequenos negócios que, muitas vezes, não conseguem crédito no sistema tradicional", observa Fiamoncini. "O cuidado com a aprovação de pedidos é fundamental para garantir que o crédito seja saudável tanto para quem concede quanto para quem recebe".
Para descobrir se um determinado negócio se encaixa neste perfil, basta agendar uma conversa consultiva com os especialistas da agência.
25 acreditando nos sonhos do microempresário

A Acredite completa em 2026 duas décadas e meia de atuação. Nesses 25 anos, foram concedidas 36.284 operações de microcrédito, que somam R$ 175,8 milhões.
Segundo Fiamoncini, o crescimento de 20% em 2025 é consequência de uma região que quer empreender cada vez mais.
‟Os números comprovam que o Alto Vale está crescendo e nós estamos aqui para acompanhar essa tendência com o microcrédito, que não só fortalece a economia local, mas também gera renda, incentiva a formalização e promove autonomia financeira", finaliza.


